Torre. Um dia brilhante

um filme de Jagoda Szelc

106 min., 2017, Polônia, DCP

sinopse

É início de verão e Nina, a filha de Mula, está prestes a celebrar sua Primeira Comunhão e os parentes começam a chegar. Entre eles, Kaja, irmã de Mula e mãe biológica de Nina, que, por alguma razão, permaneceu ausente nos últimos seis anos. Seu retorno desencadeia as ansiedades de Mula, que passa a desconfiar de qualquer interação entre Kaja e Nina. A família acredita na reconciliação, mas, para Mula, Kaja retornou com a pretensão de levar a criança embora. Enquanto a presença de Kaja desencadeia mudanças na família, ocorrem uma série de peculiares eventos metafísicos. O medo de Mula cresce e ela deseja se livrar da irmã. Entretanto, há uma razão para o retorno de Kaja.

ficha técnica

Roteiro: Jagoda Szelc
Fotografia: Przemysław Brynkiewicz
Montagem: Anna Garncarczyk
Som: Kacper Habisiak, Marcin Kasiński
Música: Teoniki Rożynek
Produção: Marcin Malatyński
Elenco: Anna Szczerbowska, Małgorzata Szczerbowska, Rafał Cieluch, Rafał Kwietniewski, Anna Zubrzycki
Título original: Wieza. Jasny dzien | Título em inglês: Tower. A Bright Day

sobre o diretor

A roteirista e diretora de cinema Jagoda Szelc nasceu em Breslávia, na Polônia, em 1984. De 2002 a 2006, estudou na Academy of Art and Design em Breslávia. Em seguida, foi contemplada com uma bolsa de estudos da Aristotle University of Thessaloniki, na Grécia. De 2009 a 2015, estudou no Departamento de Direção da Escola Nacional de Cinema, Televisão e Teatro da Polônia, em Lodz. Seus filmes foram exibidos em diversos festivais, tais como Hot Docs, IDFA, New Horizons, Karlovy Vary IFF e Brooklyn Film Festival. Seu curta-metragem, Such a Landscape, recebeu o prêmio Golden Tadpole no Camerimage Festival Internacional de Cinema, em 2013. Tower. A bright day é sua estreia no cinema.

+ info

Lançamento: 15 de novembro de 2018

 

Torre. Um dia brilhante. por Jagoda Szelc*

Há muitos filmes no mundo que escapam ao convencional, nem por isso tentam soar o alarme, que diz “Oh meu Deus! O que é isso?!” Sinto que as atitudes abertas em relação à arte estão em declínio na Polônia e foram substituídas por uma pequena reação semelhante a “gosto disso, porque consigo entender isso”. Compreendo que o cinema nasceu da arte popular, mas estou interessado nele principalmente como meio. Queria fazer um filme que estivesse se desmantelando. Meu protagonista sente a necessidade de controlar tudo. É uma doença decorrente da abundância em que vivemos. Na minha vida pessoal, tento manter minha ambição sob controle, também tento não lutar por controle. Minha carreira é uma espécie de desenvolvimento pessoal para mim. Mas, hoje, promove-se uma atitude completamente diferente: o mundo inteiro nos diz que devemos admirar aqueles que estão no controle e têm ambição. Meu filme, "Tower. A Bright Day”, visa confrontar o público com as consequências dessa atitude. Mostrar uma personagem que é patológica em suas tentativas de controlar o mundo ao seu redor; e mostrar também onde isso pode nos levar. O público irá tirar suas próprias conclusões sobre cada história. São exercícios para nosso senso de liberdade. Andrzej Wajda costumava dizer que quando um espectador não sabe o que está acontecendo, ele fica com raiva... Não concordo: acho que quando você não entende algo, abre-se um espaço para que possamos refletir sobre essa questão. ”

 “Meu diretor de fotografia, Przemys?aw Brynkiewicz, e eu somos grandes fãs de Philippe Grandrieux. Ele é um artista muito ousado que pisa bem mais fundo no acelerador artístico do que nós. Estamos apenas começando, ainda muito ansiosos e tímidos. Acho que seremos mais corajosos nos próximos filmes que planejo com Przemek. Não estou interessado no que as pessoas dizem, pois todos têm direito a sua própria opinião. Para mim, as coisas mais importantes são o que você faz e com o que sonha (...).

“Li em uma das resenhas que “Torre…” é uma improvisação legal. Isso não poderia estar mais longe da verdade: foi tudo planejado de forma meticulosa, não há nenhum corte acidental ou decisão não premeditada sobre a correção das cores. Tomemos por exemplo a cena em que alguém assobia e esse assobio é subitamente interrompido. Essa opção de edição está listada no roteiro da gravação. Este filme deveria ser naturalista e é por isso que Jarek Sterczewski o pintou de uma maneira naturalista. Quanto à fotografia em si: filmamos de maneira a deixar tudo iluminado ou imerso em sombras profundas. Escolhi atores pouco conhecidos porque queria que o público tivesse a impressão de que eles não estavam representando certos personagens, mas foram encontrados pela câmera quase por acidente. Eles são filmados de costas, quase por trás de suas cabeças, visando criar a impressão de que a câmera chegou à cena tardiamente. Decidi, juntamente com Przemek, filmar como um documentário - sem contra planos. Tudo isso para dar ao filme uma sensação naturalista, para enganar o público. Planejamos os milímetros das tomadas. O roteiro tinha 70 páginas que foram seguidas ao pé da letra.

“(...) Gosto muito de filmes de gênero e, quando comecei a produção, pensei: essa pode ser a última vez que uma aberração, como eu, tem uma oportunidade como essa. Senti que era uma situação única na vida: ter como produtor do filme, Mariusz Grzegorek, que, além de chefe da Lodz Film School, é também um maluco (pois trata-se de um artista real e intransigente). Só ele poderia permitir que algo assim acontecesse. Decidi que usaria essa oportunidade para fazer tudo o que sempre sonhei. Considerando nosso orçamento e capacidade de produção, um filme de gênero parecia natural: combina bem com esse tipo de narrativa íntima. Precisava ver se conseguiria trabalhar com o gênero, bem como dirigir três crianças pequenas e respeitar o cronograma. A produção foi um processo de aprendizagem e experimentação. Continuei ouvindo a seguinte voz na minha cabeça: "Não fique com medo, senão, estará perdida." É claro que existem muitos gêneros diferentes. Jamais tentarei fazer uma comédia, seria muito difícil para mim. É por isso que respeito Pawe? Ma?lona, por ter feito uma estreia interessante com Panic Attack.”

“Sou uma bruxa e acho que isso é óbvio (risos). Tudo começou quando conheci uma bruxa chamada Kaja que realizou certo ritual, no qual experimentei algo parecido com a morte... Falarei sobre isso algum dia, caso tenha coragem... Nosso Cristianismo era um pouco diferente no começo. Baseava-se em crenças pagãs ainda bastante difundidas entre a população. Uma bruxa é alguém que sabe das coisas e tem o cabelo solto. São as unhas e os cabelos que te conectam com o mundo dos espíritos e plantas. Os nativos americanos acreditam que alcançamos a felicidade quando retornamos ao lugar onde fomos criados. Não acho que devemos nos distanciar de nossas raízes pagãs. Fiz um filme sobre controle. Minha protagonista, Mula, continua achando que pode possuir coisas exclusivas: marido, criança, família, modo de pensar. Ela é um pouco como um colonizador. Não acho que possuímos o amor de outra pessoa. Sou uma combinação dos dois principais antagonistas: por um lado, tento controlar tudo e, por outro, desejo cortar todos os laços e retornar à natureza. Daí os títulos gêmeos, que servem como suportes de livros. "Torre. Um dia brilhante ”- o filme começa com o título“ Tower ”e termina com “A Bright Day ”.

*Extraído da entrevista de Jagoda Szelc para Tomasz Kolankiewicz publicado em 10/01/2018 no site do Directors' Guild of Poland - http://polishdirectors.com/pt/im-not-interested-in-what-people-say/

filmografia

2017 | Wieża. Jasny dzień. (Tower. A Bright Day.) 
2015 | Spacer (curta) 
2013 | Taki pejzaż (curta)
2012 | Punkt wyjścia (curta); Aposiopesis (curta)
2011 Kichot (curta)· I nigdy nie wracaj (curta)

festivais

Berlinale – Forum (2018)
Polish Film Festival (Gdynia, 2017 - Melhor Diretor Estreante e Melhor Roteiro)

hoje nos cinemas

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