O fim da viagem, o começo de tudo

um filme de Kiyoshi Kurosawa

120 min., 2019, Japão/Uzbequistão/Qatar, DCP

sinopse

A jovem japonesa Yoko está com sua pequena equipe de TV no Uzbequistão para filmar um novo episódio para o programa de variedades que apresenta. Apesar do perfil internacional do programa, Yoko tem um jeito discreto e tímido, mas os desafios culturais e pessoais que ela experimentará ao longo da viagem mudaram sua visão da vida.

 

ficha técnica

Roteiro: Kiyoshi Kurosawa
Fotografia: Akiko Ashizawa
Montagem: Koichi Takahashi
Som: Shinji Watanabe
Música: Yûsuke Hayashi
Produção: Eiko Mizuno-Gray, Jason Gray, Toshikazu Nishigaya​
Elenco: Atsuko Maeda, Shota Sometani, Tokio Emoto, Adiz Radjabov and Ryo Kase
Título original: Tabi no Owari, Sekai no Hajimari | 旅のおわり世界のはじまり
Título em inglês: To The Ends of the Earth
Classificação indicativa: 12 anos

sobre o diretor

Kiyoshi Kurosawa nasceu em Hyogo Prefecture, em 19 de julho de 1955 e trabalhou como assistente de direção de Shinji Somai em Sailor Suit and Machine Gun (1981), antes de estrear na direção com Kandagawa Wars, em 1983. Mas foi com Cure, realizado em 1997, que despertou atenção internacional e participou de diversos festivais. Com Pulse recebeu o Prêmio FIPRESCI no Festival de Cannes (2001). Tokyo Sonata, recebeu o Prêmio do Júri da mostra Un Certain Regard, de 2008, em Cannes. Entre seus últimos filmes estão Real (2013), selecionado para competitiva de Locarno, Seventh Code (2013), vencedor do prêmio de Melhor Diretor no Festival de Roma, Para o outro lado (2015), agraciado com o prêmio de Melhor Diretor na Un Certain Regard, em Cannes, Creepy (2016), que integrou a seleção da Berlinale em 2016, e Antes que tudo desapareça (2017), que estreou na Um Certain Regard em Cannes.

+ info

Entrevista de Kiyoshi Kurosawa a Mark Schilling publicada no Japan Times em https://www.japantimes.co.jp/culture/2019/06/26/films/kiyoshi-kurosawa-filming-acting-outside-comfort-zone/

Então, quando conheci Kurosawa no Teatro Shinjuku, logo após a estreia internacional do filme, minha primeira pergunta foi a inevitável "Por que o Uzbequistão?”

"Certo dia um produtor me perguntou subitamente se eu gostaria de filmar lá," disse ele. “Na época, eu não sabia nada sobre o Uzbequistão, mas há muito me interessava pela Rota da Seda, então pensei que gostaria de ir a Samarcanda, que fica no Uzbequistão. Aceitei o trabalho apenas para poder ir a lugares desse tipo. ”

Felizmente, Kurosawa e seus produtores tiveram total cooperação das autoridades locais. ”Eles fizeram o filme para celebrar o 25º aniversário das relações diplomáticas entre o Japão e o Uzbequistão,” diz ele, “mas, quanto à estória, tivemos total liberdade. Tudo correu bem.”

Porém, foi necessário superar alguns obstáculos, tais como obter as devidas permissões e montar uma equipe local.

“Foi difícil para os produtores,” diz Kurosawa, “mas quando finalmente comecei a filmar, não achei muito diferente do Japão.”

Até os jovens uzbequistaneses que falavam japonês, contratados como intérpretes, mostraram-se à altura do desafio, apesar da falta de experiência no cinema. “Carregavam equipamentos, montavam a câmera e ajudavam de outras maneiras,” diz Kurosawa. "Estavam entusiasmados e trabalharam arduamente."

Apesar de todo o trabalho de pré-produção, Kurosawa reescreveu o roteiro original quando chegou ao país e pode perceber como seu Uzbequistão imaginário diferia da realidade.

"Mesmo quando vou a algum lugar no Japão, acaba sendo completamente diferente do que eu imaginava," diz ele. “Mas esta é a sina, o estímulo e a diversão de se fazer filmes. As coisas que acontecem são mais maravilhosas do que poderíamos ter imaginado.”

De maneira semelhante, Yoko, a intrépida repórter protagonizada por Atsuko Maeda, encontra um Uzbequistão exótico e sedutor, mas também estranho e ameaçador, pelo menos em sua própria mente.

"Ela não fala a língua e se debate com as pequenas barreiras culturais", diz Kurosawa. “As coisas são diferentes do que ela imaginava. Mas esse é o começo do entendimento. Se você evita confrontos culturais, nunca entende a outra pessoa.”

“Como a personagem dela não sabia nada quando foi (para o Uzbequistão), pedi a Maeda que também fosse para lá sem saber nada,” acrescenta ele. "O objetivo era tornar seu desempenho mais natural."

Em busca de relatos locais, engraçados, peculiares e superficiais, que podem alavancar sua audiência, Yoko e sua equipe atuam como verdadeiros profissionais e que farão tudo o que estiver ao alcance para realizar o trabalho, tanto ao repetir incansavelmente as gravações quanto ao lidar com as mudanças abruptas de planos. (Uma das ideias de Yoko: comprar uma cabra e libertá-la na floresta, porém, quando está prestes a soltá-la, uma indignada uzbequistanesa lhe diz que ela será comida por cães selvagens.)

"Ela se vê numa situação difícil e leva seu trabalho muito a sério," diz Kurosawa, "mas, ao longo da produção, também tem que fazer coisas bem idiotas – também muito comuns no Japão."

A estória do filme sobre uma mulher sozinha que luta para encontrar seu caminho numa terra estrangeira, diz Kurosawa, tem algo em comum com o "Seventh Code."

"A experiência de fazer o filme "Seventh Code" me levou, sem dúvida, a querer trabalhar neste com Atsuko Maeda," diz ele. “Não importa o que é preciso fazer, ela jamais desistirá. Não importa o que lhe pedimos, ela sempre responderá, 'Entendo', e conseguirá fazê-lo. Encontrar esta abordagem ao trabalho, em alguém tão jovem, é maravilhoso.”

Um dos pedidos mais difíceis feitos por Kurosawa a Maeda foi cantar o hino de Edith Piaf ‘L’hymne a l’amour’ num cenário de montanhas imponentes.

"Ela é uma cantora profissional, então pensei que poderia fazer isso facilmente," diz ele. “Mas exatamente por ser uma profissional, a escolha de uma música de Edith Piaf a deixou sob enorme pressão. Maeda passou bastante tempo fazendo aulas de canto, que começaram bem antes das filmagens.”

Porém, essas aulas não a prepararam para a realidade de cantar a céu aberto, numa altitude de mais de 2.000 metros.

“O ar é rarefeito e não há muito oxigênio,” diz Kurosawa. “Para ela, cantar essa canção do começo ao fim, em apenas uma tomada, foi realmente difícil. Mas, desde o começo, eu queria que fosse assim. Essa cena, na qual Yoko canta com cada milésimo de sua força, expressa, de uma maneira compreensível a todos, que os muros, que ela havia construído em torno de si, ruíram.”

Kurosawa diz que se sentiu tentado a construir esses muros.

“Frequento vários festivais internacionais de cinema, mas sou um verdadeiro gato assustado,” diz ele. “É preciso coragem para ir a um lugar que não conhecemos, mas os seres humanos querem descobrir o que está à frente. Portanto, mesmo que não deva, irei entrar num ônibus e dar uma olhada no mercado. Minha curiosidade é despertada. Este tipo de coisa faz parte do comportamento natural do ser humano. Sentimos medo, mas vamos um pouco mais longe. Então ficamos ainda mais assustados," diz ele com uma risada.

filmografia

2019 To The Ends Of The Earth
2018 Foreboding
2017 Antes que tudo desapareça
2016 Daguerrotype
2016 Creepy
2015 Journey to the Shore | Kishibe no Tabi
2013 Seventh Code
2013 1905
2013 Real | Riaru Kanzen Naru Kubinagaryu no Hi
2012 Penance | Shokuzai
2008 Tokyo Sonata
2006 Retribution | Sakebi
2005 Loft | Rofuto
2005 Kazuo Umezu's Horror Theater: Bug's House
2004 Ghost Cop
2003 Doppelganger
2003 Bright Future | Akarui mirai
2001 Pulse | Kairo
1999 Barren Illusions | Oinaru genei
1999 Charisma | Karisuma
1998 License to Live | Ningen gokaku
1998 Serpent's Path | Hebi no michi
1998 Eyes of the Spider | Kumo no hitomi
1997 Cure
1998 Fukushu the Revenge Kienai Kizuato
1996 Suit Yourself or Shoot Yourself: The Nouveau Riche
1996 Katte ni shiyagare!! Gyakuten keikaku
1996 Door 3 Doa 3
1996 Suit Yourself or Shoot Yourself: The Loot Katte ni shiyagare!! Ôgon keikaku
1992 The Guard from the Underground Jigoku no keibîn
1989 Abunai hanashi mugen monogatari
1989 Sweet Home Suito Homu
1985 The Excitement of the Do-Re-Mi-Fa Girl Do-re-mi-fa-musume no chi wa sawagu
1983 Kandagawa Wars Kanda-gawa inran senso

festivais

Locarno International Film Festival 2019

hoje nos cinemas

SEMANA DE 19/09/2019 A 25/09/2019

*Confirme a programação e horários nos cinemas de sua cidade.

 

ESTREIA

BRASILIA

» Cine Cultura Liberty Mall
Sala 2: 21h00

FLORIANÓPOLIS

» Paradigma Cine Arte
Horário: 19h30

PORTO ALEGRE

» Cinemateca Capitólio
Horário: 20h00*
*excepcionalmente na sexta-feira, dia 20/09, a sessão será às 14h00

 

CONTINUAÇÃO

ARACAJU

» Cine Vitória
20/09 (sexta-feira): 14h00
23/09 (segunda-feira): 15h30

GOIÂNIA

» Cine Cultura Goiás
Horário: 18h15

RIO DE JANEIRO

» Estação NET Botafogo
Sala 2: 15h25

» Instituto Moreira Salles
19/09 (quinta-feira): 17h50 - 20h00
20/09 (sexta-feira): 20h00
21/09 (sábado): 20h00
22/09 (domingo): 20h00
24/09 (terça-feira): 17h50 - 20h00
25/09 (quarta-feira): 15h40 - 17h50

SÃO PAULO

» Cinesesc
Horário: 18h00

» Espaço Itaú Frei Caneca
Sala 7: 19h00

» Reserva Cultural
Sala 3: 13h30

» Instituto Moreira Salles - Paulista
19/09 (quinta-feira): 21h30
20/09 (sexta-feira): 19h00 - 21h30
22/09 (domingo): 15h00
24/09 (terça-feira): 19h00 - 21h30

» Circuito Spcine - Sala Roberto Santos
19/09 (quinta-feira): 17h00
20/09 (sexta-feira): 17h00
22/09 (domingo): 17h00
24/09 (terça-feira): 17h00 

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